Era um dente-de-leite do Fluminense de Feira de Santana, sonhador como tantos meninos que se imaginam nos estádios mais conhecidos do país. De repente, numa excursão do Flamengo à cidade, viu-se frente a frente com Mané Garrincha. Pronto, estava decidido. Seria jogador de futebol. Após o tricampeonato do Brasil, em 1970, ele saiu do Nordeste para o Rio de Janeiro. Aliás, para o Flamengo. Chamavam-no de Joãozinho. Quando a idade limite das categorias de base chegou, “visionários” o dispensaram. Não imaginavam que Joãozinho se tornaria “João Danado”. Estão me mandando embora, mas ainda vão me comprar bem caro. Compraram mesmo. Depois que explodiu no Confiança, tornou-se ídolo eterno do Santa Cruz, vestiu a camisa da seleção – e só não foi titular em Copa do Mundo por contusão –, passou pelo Fluminense e pelo soccer norte-americano, estava estufando redes no México quando o Flamengo o buscou de volta. Na Gávea, seria a peça que faltava na engrenagem de um esquadrão. Era hora de fazer História. Marcou dois gols na final que rendeu o primeiro título nacional do Mengão. Cravou outros dois no poderoso Liverpool, dando o Mundial – nada pode ser maior – para o clube. Além de ser o artilheiro dessas grandes decisões, fez o gol do título. Repetiria a dose na conquista do dramático Carioca de 1981 e, em Porto Alegre, contra o Grêmio, na campanha do bicampeonato brasileiro do Mais Querido. Feitos que o tornaram imortal. Teve ainda passagem por outros clubes, tudo retratado nesta obra, mas seu legado estava feito. Estava não: está. Vire as páginas de “Nunes, O Artilheiro das Decisões” e veja que esse controverso personagem do futebol nacional é, na verdade, uma lenda muito maior do que você imaginava.
MARCOS EDUARDO NEVES escreveu as biográfias de grandes ícones desportivos, como Alex de Souza, Heleno de Freitas, Renato Gaúcho, Loco Abreu, Nunes e Francisco Horta. É dele também Vendedor de sonhos, sobre o publicitário Roberto Medina, criador do festival Rock in Rio, e Efeito Zico.